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Alta chega a 22,24%

O consumidor que foi às compras neste início de semana já sentiu o impacto da alta sobre o preço do quilo da carne no varejo da Grande Cuiabá que chega até a 22,24% num intervalo de uma semana. Depois de um período de quase 60 dias sem alterações, os cortes apresentam remarcações nos principais supermercados. A alta média apurada pelo Diário para dez itens pesquisados ontem, foi de 11%. Os cortes que tiveram as maiores altas foram o lagarto (22,24%), filé mignon (15%) e miolo de alcatra e contrafilé (14,29%).

Os preços médios adotados ontem nos supermercados apontavam R$ 22,99 para o quilo do filé mignon, o corte mais caro, seguido da alcatra e contrafilé R$ 15,99,/kg e o lagarto, que passou de R$ 8,99 para R$ 10,99/kg. A costela grossa teve seu preço majorado de R$ 5,49 para R$ 6,49 - alta de 18,21% - e apenas o músculo (R$ 8,99) e a bisteca (R$ 9,99) tiveram seus preços mantidos na lista dos dez cortes pesquisados.

A alta contraria a expectativa dos pecuaristas que não apostava em aumento de preços na gôndola após o anúncio da habilitação de todo o Estado para exportar carne bovina in natura à União Européia. A previsão era de que o que poderia acontecer era uma valorização do produto localizado na área que não estava habilitada e que até então, sofria uma depreciação de cerca de R$ 2 a R$ 3 sobre cada arroba comercializada.

PECUARISTA - O superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vaccari, aposta em um nivelamento de preços para o pecuarista por conta do credenciamento dos 51 municípios que estavam impedidos de exportar para o bloco europeu. “Havia diferença de preço de uma região para outra. Agora, esta diferença tende a acabar”.

Ele disse que a decisão da UE viabiliza a produção de carne in natura de todo o Estado. “Mas não é porque a UE liberou Mato Grosso que todo mundo vai exportar. O pecuarista, antes de qualquer coisa, tem que estar com sua propriedade de acordo com as normas da rastreabilidade. Aí ele poderá pleitear a venda para o mercado europeu”.

Segundo Vaccari, a habilitação de Mato Grosso “cria uma possibilidade de o pecuarista agregar valor ao seu produto e colocar uma oferta extra no mercado. Mas, não acreditava que a medida pudesse trazer impacto em nível interno [aumento de preços para o consumidor]”.

Ele acha que a participação no mercado europeu irá demandar algum tempo porque as propriedades terão de se adequar às normas do Sisbov (Sistema de Rastreabilidade de Bovinos). “Mas já temos propriedades nas regiões que até então não estavam habilitadas e que atendem às normas da rastreabilidade”.

Vaccari admite que a oferta de gado diminuiu, mas há mercadoria pra atender todo mundo. “Os frigoríficos, inclusive, terão condições de aumentar suas exportações”.

LOGÍSTICA – Para o coordenador do Centro de Comercialização de Bovinos da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Centro-Boi), Luiz Padilha, a diferença de preços entre as regiões no Estado tende a diminuir com a habilitação total, mas o fator logístico ainda atrapalha.

“O problema não é somente liberarmos [para exportação], mas resolvermos o nosso principal gargalo, que é a logística. A distância entre o frigorífico e o centro consumidor vai continuar existindo e precisamos resolver este problema para que o produtor possa ter o seu produto mais valorizado”.

Segundo ele, a abertura da Europa quer dizer que a sobra de carnes especiais que estavam em oferta no mercado – como filé mignon, alcatra, picanha e contrafilé – passará a ser consumida também pela UE.

“Estes cortes, provavelmente, sairão de oferta nos supermercados e por isso já esperávamos uma pequena alta para o consumidor. Quanto aos demais cortes, não há nada que justifique a elevação nos preços”, avalia Padilha.

Fonte: http://www.diariodanoticia.com.br

30/10/2008 - 12h01min